A MENINA VIRTUOSA
Era uma vez, na tranquila cidade de Rosa dos Ventos, uma
menina chamada Areta.
Todos diziam que ela tinha um
coração virtuoso — desses que
espalham amor por onde passam.
Areta gostava de acordar cedo para preparar o café da manhã
e organizar a casa antes que todos levantassem.
Em seguida, cuidava de seus animais de estimação. Parecia que eles haviam esperado o dia inteiro por aquele momento, miando e latindo até Areta colocar a ração.
As pessoas se admiravam: como uma menina tão pequena
podia ser tão prestativa e cuidadosa?
Até os nove anos de idade, Areta era poupada das tarefas
domésticas. A mãe dizia que a cozinha não era lugar para crianças e
que a arrumação da casa era um trabalho pesado.
Mas Areta gostava de ajudar. Começou como quem brinca
de casinha — dobrando as roupas, arrumando a cama e varrendo o
chão. Depois aprendeu a pôr a mesa, a fazer o café com leite e a
lavar as louças.
Ela também levava os estudos a sério. Gostava de reunir
os coleguinhas, colocar as cadeiras em fila e escrever o dever na
lousa que havia ganhado de presente.
Duas vezes por semana, às terças e quintas, tinha aulas de
balé — sua atividade mais esperada. Areta se dedicava com afinco:
equilíbrio, ritmo, postura, flexibilidade.
Nas segundas e quartas, praticava natação, algo que amava
desde os cinco anos. Era importante saber nadar nas piscinas do
condomínio, e ela se sentia livre sempre que
mergulhava.
Às vezes, Areta usava o celular, mas logo desligava para cuidar das responsabilidades. Às sextas-feiras, podia usá-lo com mais tempo, mas sempre para coisas boas: conversar com as amigas, ler notícias ou assistir a algum desenho religioso.
Nas manhãs ensolaradas, todos se ocupavam em suas rotinas.
Depois do almoço, quando o tempo esfriava e a chuva caía sobre
Rosa dos Ventos, era costume os moradores
tirarem uma soneca.
cachorros e gatos até a área descoberta da lavanderia, dava-lhes
banho e limpava as vasilhas.
Entre sabão, risadas e respingos, era um momento de alegria e carinho.
Mas, a vida de Areta não era só alegrias, as vezes ela passava por situações que testavam suas virtudes.
Certo dia, Areta
enfrentou um grande problema, seus pais se separaram, e de repente, tudo o que
era familiar pareceu mudar de lugar.
A casa ficou silenciosa, o quarto maior e vazio, e o coração
dela, apertado — cheio de perguntas sem resposta.
Com o tempo, o pai se casou novamente, e Areta passou a passar um tempo morando com ele e a madrasta.
No início, tentou ser gentil, mas a nova mulher da casa não compreendia sua doçura. Aos poucos, Areta foi privada das coisas que mais amava: o balé, a natação e até o celular que usava com tanto cuidado.
Foram dias de tristeza e solidão. Mas Areta não se deixou
endurecer.
Em vez de reclamar, voltou-se à
oração.
Lembrava-se das palavras da mãe:
“Quando não puder mudar o que acontece ao seu redor, peça a
Deus que cuide de você.
Todas as noites,
ajoelhava-se ao lado da cama e falava com Deus. Pedia sabedoria, paciência e um
coração manso para suportar o que não podia compreender.
Aos poucos, encontrou novas formas de preencher o tempo.
Voltou a ler os livros que a mãe deixara, ajudava nas pequenas
tarefas da casa e começou a cuidar das plantas da varanda.
Cada flor que desabrochava era, para
ela, um sinal de esperança
— de que as coisas podiam florescer de novo, mesmo
em meio à dor.
Um dia, a madrasta a observou regando as flores e percebeu algo diferente naquela menina. Não havia revolta em seu olhar, apenas
serenidade.
Já não conseguia ser tão dura ao ver Areta cuidando da casa com carinho,
ajudando sem reclamar e sempre encontrando tempo para orar e desenhar.
Certo dia, ao
entrar no quarto, encontrou um caderno sobre a escrivaninha. Nele, havia um
desenho de uma mulher e uma menina abraçadas diante de um jardim florido.
Com os olhos marejados, a madrasta
se sentou e esperou Areta chegar.
E assim que Areta
entrou, a madrasta perguntou:
— Você desenhou isso para mim?
Areta sorriu timidamente.
— Eu só queria que a gente pudesse
ser amigas.
A madrasta
respirou fundo e a abraçou pela primeira vez.
A partir daquele dia, o lar ficou mais leve. O pai percebeu a
harmonia voltando, e aos poucos, o amor e o respeito reconstruíram
o que antes parecia perdido.
Areta compreendeu
que a verdadeira virtude não está apenas em obedecer, mas em continuar sendo
bondosa mesmo quando o mundo parece injusto.
A madrasta passou a incentivar que Areta frequentasse as aulas
de balé e natação, e que cuidasse de seus animais de estimação.
Até o celular Areta estava liberada para usar.
E todas as manhãs, a madrasta fazia de tudo para que pai e filha tomassem o café juntos.
E assim, entre flores, livros e orações, a menina virtuosa transformou o próprio lar — e também um coração endurecido — com a força amorosa de suas virtudes.
Fim
Autora: Mariluci Pinheiro e Andréa Alice
Ilustração: chat GPT e Gemini.